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/ pp 97-106 / Año 13 Nº24 /
JULIO 2026 – NOVIEMBRE 2026
/ ISSN 2408-4573 / DOSSIER TEMÁTICO
inesgotável de sentido, de formas de existência, de direções que extrapolam em muito as estruturas de comando e os
cálculos dos poderes constituídos” (Pelbart, 2015, p. 59).
Vida como experimentação, variação, diferenciação, invenção, devir, capacidade de composição, poder de afetar e ser
afetado, possibilidade de adentrar outros seres e seus pontos vista chance de migrar na escala de durações dos entes
no cosmos, ser e pensar diferentemente; ou ainda, errância, heterogênese, resistência, criação de possíveis,
virtualidade, potência... (Pelbart, 2019, pp. 26-27).
Nesse sentido, cabe-nos fazer transbordar as docências, as culturas, os currículos, as escolas como potência de vida
para fazer jorrar novas formas de subjetividades e fazer proliferar multiplicidades, fluxos, movimentos de sentidos, de
pensamentos, de possíveis, que se constituem como potência ético-estético-política, que inventa novos desejos, novas
associações e formas de cooperação na densidade social da vivência concreta, reencontrando a potência da ação
coletiva na potência da força-invenção da qual os poderes pretendem apropriar-se.
Assumindo a ideia de “potência de ação coletiva”, Carvalho (2009) aponta que essa potência depende
fundamentalmente da capacidade de indivíduos e grupos se colocarem em relação para produzir e trocar
conhecimentos, criando o agenciamento de formas-forças comunitárias, com vistas a melhorar os processos de
aprendizagem e criação nas coletividades locais, bem como no interior de redes cooperativas de todo tipo, ou seja,
debater os possíveis a partir de conhecimentos, linguagens, afetos e afecções que estão em circulação nas práticas
discursivas, em redes de conversações e ações complexas no cotidiano escolar.
Na biopotência, o biopoder não consegue abarcar e abafar a vida, pois são fluxos de forças que, por meio de contágio
se intensifica; é um corpo político. Não é só reprodução; é criação, é resistência. Para Deleuze (1990), criar é a única
resistência digna do presente. Importa, portanto, repensarmos as noções de currículos, culturas e docências,
concebendo-os não em uma visão disciplinar ou de controle, mas como uma rede de conversações com saberes,
fazeres e afetos, múltipla, acentrada, baseada nas negociações entre as singularidades e o comum. Enfim, esse comum
deve ser feito num plano de consistência e composição de desejo coletivo de encontros, relações, respeito à alteridade
e/ou à diferença, multiplicidade, problematizações e experimentações.
Desconfiar. Problematizar. Rejeitar. Renunciar. Abandonar. Resistir. Rebelar. Insurgir às noções de essencialismo, de
identidade, de rostidade
Neste manifesto de afirmação da vida, precisamos desconfiar das certezas, dos pressupostos, das representações, de
uma verdade única; é preciso rejeitar as regras dadas de antemão, as narrativas de uma história universal; abandonar
as noções tradicionais de identidade, gênero, raça e natureza; problematizar a ideia de um pensamento dogmático e
de um currículo padronizado, centralizado e universal orientado por uma doxa e transcendência; precisamos fugir da
imagem dogmática do pensamento; renunciar aos dualismos; problematizar as dicotomias; resistir à estratégia
ultraliberal e ultraconservadora ante as políticas sociais, que implicam o empresariamento da educação, a privatização
no campo educacional; precisamos escapar das segmentações duras e predeterminadas; fazer tudo isso
problematizando, ou seja, interrogando o presente: qual é a imagem do pensamento ultraconservador nos currículos,
culturas e docências na educação?
Acreditamos, portanto, nas insurreições que irrompem como força coletiva. criadora de resistências cotidianas às
inúmeras tentativas de padronização e regulação dos corpos e da vida. Insurgir em educação é problematizar as
políticas educacionais e curriculares; é destituir-se de certezas; é não aceitar a passividade diante de qualquer tipo de
violência contra professores; é indignar-se e buscar estagnar as atitudes preconceituosas e discriminatórias tão
presentes em nossa sociedade. Insurgir é desejar pensar de outro modo, produzir novas formas de se relacionar consigo
e com o mundo, construir modos de sensibilidade que produzam uma subjetividade singular, como nos falam Guattari
e Rolnik (2011).
Para Deleuze e Guattari (2012), precisamos criar formas de subjetividade capazes de produzir novas relações de poder
e de inventar resistências não reativas às tentativas de controle, de sujeição social e de servidão maquínica (Lazaratto,
2014). É necessário fazer vazar os fluxos para entrar em relação ao que se passa entre os corpos. Apostamos nas
insurreições cotidianas criadas por professores/as e nos encontros que se constituem em redes de conversações,
possibilitando a autoria e a criação coletiva de novas formas de nos relacionarmos com a cultura, com o corpo, com o
trabalho, criando, portanto, modos de subjetivação.