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/ pp 147-160 / Año 13 Nº24 /
JULIO 2026 – NOVIEMBRE 2026
/ ISSN 2408-4573 / DOSSIER TEMÁTICO
Abertura à multiplicidade dos modos de ‘
verouvirsentirpensar
’
Independente da tela que
‘vemosouvimospensamossentimos’,
podemos dizer que somos afetados de alguma forma por
esta tecnologia. Na vida, porém, as imagens e os sons cotidianos ganham sua notoriedade mediante à peculiaridade
de momentos específicos. Há tempos presenciamos uma “abertura aos sentidos que nos ligam aos sons, imagens,
narrativas, sabores, os cheiros, ao tato, ao contato direto com as coisas, algo propicia na verdade, uma abertura à
multiplicidade de modos de
‘verouvirsentirpensar’
” (Alves
et al.,
2020, p. 237). Dessa forma, não somente os ruídos,
sussurros e silêncios, mas todos os sentidos ficaram mais perceptíveis, transformando a maneira do existir que passa
a compreender que sentimos com todo o corpo. Como destacado pelo pensador finlandês Juhani Pallasmaa,
[...] meu corpo me faz lembrar quem eu sou e onde me localizo no mundo. Meu corpo é o
verdadeiro umbigo de meu mundo, não no sentido do ponto de vista da perspectiva central,
mas como o próprio local de referência, memória, imaginação e integração (Pallasmaa,
2011, p.11).
Dessa forma, o corpo, as imagens e os sons se interligam como componentes essenciais para receber uma mensagem
e, por meio dos sentidos, das escolhas, das histórias, das narrativas contadas por esses meios, passamos a nos
conectar mediante formas outras de estar e pertencer ao mundo. Assim, o audiovisual nos oportuniza ponderar sobre
como “as imagens remetem às narrativas e vice-versa, em processos e conexões permanentes” (Alves
et al
, 2012,
p.15). Logo, ler/escutar narrativas e/ou 'ver' uma imagem implica contar uma história. Por isso, para nós, o uso de
imagens e sons em pesquisas com o cotidiano tem exigido, como necessidade epistemológica, a incorporação das
narrativas sobre elas ou por elas impulsionadas, inclusive as dos próprios pesquisadores.
Os
‘usos’
(Certeau, 2014) que fazemos dos artefatos tecnológicos e formas de criações através dessas redes assumem
um papel de suma importância nas interações entre as pessoas, uma vez que será exclusivamente possível existir
nesses ‘
espaçostempos’
por via dos diferentes recursos tecnológicos (
smartphone, notebook, tablet
e outros). Nesses
movimentos da cibercultura, em espaços
online
ou de vivências outras, as audiovisualidades passam a nos atravessar
via suas dimensões éticas, estéticas, políticas e poéticas, estreitando a comunicação, desencadeando sentidos, criando
a partir do inesperado outras formas de fabular a existência e, ainda, propondo novas maneiras de
‘verouvirsentirpensar’
saberes locais em múltiplos
‘espaçostempos’
cotidianos. Essa é uma das maneiras que as artes, aqui enquanto
audiovisual, rasgam as etiquetas e tomam seu lugar de direito para
‘fazerpensar’
criações curriculares
‘dentrofora’
das
escolas.
As artes em sua totalidade de sentidos, inclusive as vistas através dos audiovisuais, que produzem
‘conhecimentossignificações’
diversos por abrangerem imagem, som, narrativa e entretenimento, tornam-se evento e
artefato cultural que transpassam para artefato curricular. As audiovisualidades são, assim, “potências de atualização
dos produtos audiovisuais, seja na recriação dessas produções por meio de bricolagens, de sátiras [...] que, inserem-
se nos movimentos da Cibercultura, experimentando e propondo novos (e incessantes) modos de fazer e de circular
imagens e sons.” (Nolasco-Silva e Reis, 2021, p. 4).
O audiovisual, em suas narrativas, envolve-nos em projetos que permitem experimentar e refletir sobre os processos
que realizamos, incorporando diferentes modos de
‘sentirpensar’
(Alves, Caldas, Chagas e Mendonça, 2020, p. 232).
Ao percorrer esse caminho, tecendo uma experiência de vida nas artes que se expressa como um modo alternativo de
conhecimento curricular, articulando experiências no
‘dentrofora’
dos ‘
espaçostempos
’ escolares, tanto online quanto
presenciais. Esse percurso rompe com a fragmentação disciplinar que, frequentemente, limita a criação curricular,
oferecendo possibilidades de se ‘
fazerpensar
’ além das estruturas tradicionais. Ao nos conectarmos com os sentidos
— visão, audição, tato, olfato, sabor, presença —, ampliamos a percepção e a interação com o mundo, promovendo
uma abertura à multiplicidade de modos de
‘verouvirsentirpensar’
(Alves, Caldas, Chagas e Mendonça, 2020, p. 237).
As tecnologias de comunicação, bem como as audiovisualidades, buscam meios de fazer com que nos adaptemos às
suas multiplicidades de sentidos, conduzindo-nos a escolher formas de conexão com os demais e com suas redes,
criando possibilidades e vivências atemporais. Essas maneiras de
‘verouvirsentirpensar
’ estão amontoadas na internet,
sobretudo, em tempos de pandemia, onde vários canais foram criados para compartilhar momentos cotidianos dentro
dos quatro cantos de casa.