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/ pp 120-132 / Año 13 Nº24 /
JULIO 2026 – NOVIEMBRE 2026
/ ISSN 2408-4573 / DOSSIER TEMÁTICO
A imagem em questão traz elementos bem distintos em comparação a nossa Figura 1. O registro traz uma poesia, com
uma legenda extensa que foi criada por Sérgio Vaz, e ainda com um espaço voltado para a interação de outros
praticantes culturais, com reações e comentários. O Instagram é uma rede social criada para o compartilhamento de
imagens, que permite incluir no processo de compartilhamento músicas, figurinhas, textos e outras fotos, que podem
ser compartilhadas no feed do perfil, nos
Stories
, ou nos
reels.
O local em que o praticante cultural escolhe realizar sua
publicação traz especificidades únicas. No feed, a imagem permanece como parte da identidade do perfil, como
capítulos de uma história que escolhemos contar. Nos stories há uma instantaneidade, pois a publicação permanece
visível por apenas 24 horas. E no
reels
, há o incentivo de compartilhamento universal para popularizar para mais
pessoas sua publicação pela ampliação da sua divulgação.
Uma imagem no contemporâneo possui agora outros elementos, outras formas de narrar o vivido e apresenta no
invisível um desejo de como e qual o objetivo com essa narrativa vai habitar o digital. Sérgio escolhe a poesia como um
elemento para contar sua história, com leveza ele nos provoca sobre a poesia, tornando visível a invisibilidade do gênero
literário para alguns. Uma imagem contemporânea pode explorar múltiplas linguagens, sons, sentidos e sensações, em
suas presenças e ausências, no visível e invisível. É parte de um plano de imanência (Deleuze e Guattari, 2007), com o
equilíbrio e desequilíbrio de forças e energias, que traz em seus signos as histórias anunciadas e silenciadas.
A Figura 2, é um convite para entabular nossas conversas, fazemos do próprio ato de conversar com imagens o nosso
método. Dessa forma, situamos os territórios de invenção – que são múltiplos, movediços e atravessados por diferentes
forças – nas conversas como prática de pesquisa. Conversar, aqui, não é simples troca entre pergunta e resposta, mas
ato de abertura ao imprevisto, disposição para inventar sentidos no próprio acontecimento. É deixar-se afetar. Nesse
movimento, permitimos ser surpreendidos pelo que emerge e, assim, inscrevemos nossa investigação no campo dos
Estudos com os Cotidianos.
Contudo, mais do que considerar os cotidianos como filiação epistemológica, trata-se de reconhecê-los como matéria
viva, ou seja, dimensão indissociável da investigação. Por isso, acompanhamos Süssekind (2012) na compreensão de
que são com as conversas que emergem no campo investigativo, que pesquisador e pesquisado se afetam mutuamente,
produzindo juntos conhecimentos tecidos pelas experiências forjadas nesses próprios
‘espaçostempos’
. Com as
conversas emergimos do ordinário o extraordinário como nos inspira Sérgio Vaz (Figura 2).
Enquanto assumimos as conversas como prática de pesquisa, a Cartografia se torna nosso procedimento metodológico
(Passos; Kastrup; Escóssia, 2009). Com esse movimento, forjamos a emersão de tramas em que ciência, política e
afetos se entrelaçam com imagens que não apenas registram, mas inventam mundos. Nesse sentido, a prática de
pesquisa com a cartografia volta-se aos processos em devir. Assim sendo, de um lado, nos aproximamos daquilo que
se manifestava nas práticas ordinárias, na circulação de imagens que atravessavam os cotidianos sem pedir licença de
outro, nos permitimos compreender como tais imagens produzem sentidos capazes de movimentar modos desviantes
de
‘versentirviver’
as narrativas; criar
‘imagensafetos’
. Essa perspectiva se potencializa quando pensamos as conversas
na cibercultura e os usos de sons, vídeos, memes, stories, dentre outros, que já são, por si, nossas conversas cotidianas.
Com isso, mergulhamos com todos os sentidos (Andrade; Caldas; Alves, 2019) em páginas na Internet de acesso público
e irrestrito, e usamos a ambiência da rede social Instagram, cuja popularidade cresceu de forma vertiginosa nos últimos
anos. De acordo com Sampaio (2024), somente no último trimestre do ano de 2023, foram 13 milhões de novos usuários
mensais ocupando o Instagram, totalizando 1,47 bilhão de pessoas habitando essa interface digital. As publicações no
Instagram reúnem temas variados que atravessam as relações sociotécnicas e expõem quem somos, quem desejamos
ser e o que escolhemos contar. Um único perfil, com uma simples postagem, pode materializar uma imagem
compartilhada entre milhares de usuários, alimentar os algoritmos que produzem dados e, ao mesmo tempo, narrar
histórias que ditam ou interditam afetos.
Para compreender os usos das imagens, selecionamos dois perfis específicos: @nuncavi1cientista e @ninja.foto.
Diferentes e complementares, ambos os perfis se tornaram intercessores (Deleuze; Guattari, 1992) com que
conversaremos e pensamos acerca das
‘imagensafetos’
nos cotidianos da cibercultura. Portanto, ao conversar com as
publicações de @nuncavi1cientista e @ninja.foto, o que nos interessa não é apenas o conteúdo em si, mas o processo
de circulação de
‘conhecimentossignificações’
em que se enredam narrativas dos cotidianos. Cartografar esses fluxos
discursivos visuais permitiu perceber como os dois perfis tensionam temas contemporâneos e, ao mesmo tempo,
inventam modos de estar-junto em um mundo comum, plural e heterogêneo.