Canción y sonoridad brasileña en la escena nocturna de Até sangrar, de Áurea Martins

  • Patricia Soares Paterson Universidade Federal do Rio de Janeiro

Resumen

Este artigo analisa a voz no canto popular a partir de uma audição comentada do disco Até sangrar, de Áurea Martins (2008), tomando como foco a terceira faixa, estruturada em medley/pot-pourri. Descreve-se a cena musical construída pela costura de canções associadas à “dor de cotovelo”, com ênfase em Lupicínio Rodrigues, e examinam-se escolhas interpretativas e de arranjo (piano, saxofone, violão, dinâmica vocal) como operadores de uma ambiência específica. Para sustentar a análise, mobiliza-se a noção de paisagem sonora (Schafer), em diálogo crítico com Chion, articulando-a a contribuições de Benjamin sobre a reconfiguração moderna da escuta e a Wisnik sobre as relações entre som, ruído e silêncio. Discute-se ainda a canção como classe de linguagem (Tatit) e a dimensão performática da voz, compreendida como locus de oscilação entre canto e fala, bem como de negociação cultural do que é audível/significativo. Argumenta-se que a paisagem sonora não apenas enquadra modos de escuta e vocalidade em determinado contexto histórico-social, mas também é reconfigurada pela própria criação vocal e tecnológica do canto popular. 

Abstract
This article examines voice in popular singing through a commented listening analysis of Áurea Martins’s album Até sangrar (2008), focusing on the third track, structured as a medley/pot-pourri. It describes the musical scene produced by stitching together songs associated with “dor de cotovelo” (heartbreak), emphasizing Lupicínio Rodrigues, and it analyzes interpretive and arranging choices (piano, soprano saxophone, guitar, vocal dynamics) as operators of a specific sonic ambience. The discussion draws on the concept of soundscape (Schafer), in critical dialogue with Chion, and articulates it with Benjamin’s reflections on modern transformations of listening and Wisnik’s account of relations among sound, noise, and silence. The article also engages the song as a class of language (Tatit) and the performative dimension of voice, understood as a site of oscillation between singing and speech and of cultural negotiation over what becomes audible and significant. It argues that soundscapes not only frame listening habits and vocality within a given historical-social context, but are also reshaped by the vocal and technological inventions of popular song.

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Biografía del autor/a

Patricia Soares Paterson, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Psicanalista. Mestre em Teoria Psicanalítica (UFRJ), doutoranda no PPG em Ciência da Literatura (UFRJ). Interessada pelo canto popular brasileiro, pesquisa o tema da voz nos campos da psicanálise, da literatura e da música

Contacto: paterson.patricia@gmail.com

ORCID: 0009-0003-5631-0884

DOI: 10.5281/zenodo.23593718 

Publicado
2026-10-29